Maternidade in Box – Tudo que eu não queria falar…

Mais uma vez vemos um caso se tornar viral nas redes sociais relacionado a sexo e adolescentes.  Uma menina, que permitiu que o amante (parece que o rapaz era casado) filmasse eles fazendo sexo passou o vídeo por mensagem para os amigos e algum amigo soltou na rede e pronto… a confusão estava feita.

Não quero entrar na questão se ela merecia ou não. Nem no fato de ser amante, muito menos no fato do cara ser um sem vergonha cretino. Menos ainda na questão moral da coisa.

O que quero realmente falar é que sou mulher.  Já fui adolescente e já tive amores loucos em que eu era capaz de aceitar qualquer coisa por estar apaixonada (e quem não passou por essas fases?!)

Atire a primeira pedra quem nunca fez ou pensou em fazer filminho, foto ou alguma coisa assim depois do boom das maquinas digitais.  Mas também não é sobre isso que quero falar.

Quero falar que sou mãe. Mãe de adolescente. Tenho uma filha de 16 anos que não passou por nenhum constrangimento público. Mas que teve um casal de amigos que namoravam e tiveram um vídeo espalhado na escola por uma “amiga da menina”.  Obviamente quem sofreu mais foi a menina, que teve que deixar a sua vida por um tempo.  Por que? Porque ainda vemos o sexo como tabu, porque somos tão moralistas nessas horas mas esquecemos completamente toda essa moral na hora de praticar?

Por que precisamos dizer que a menina que faz isso é puta e o o homem garanhão? Não deveríamos ensinar aos nossos filhos que ter relações sexuais e amorosas é normal e saudável mas espalhar um vídeo daquele que confiou em nós, que um dia nós gostamos é doentio, é imoral é falta de caracter?

Por que seguimos fingindo que não vemos as coisas e evitamos conversar e orientar nossos filhos sobre o assunto? Por que os adolescente ainda tem que procurar revistas e pessoas de fora para tirar suas dúvidas?

Maternar começa quando descobrimos a gravidez. E não se extingue nunca mais. Mesmo quando os filhos já tem netos. Ser mãe e ser pai é para sempre e a adolescência é o período que eles mais precisam de nós. Não é porque já comem, andam e pensam sozinhos que nossa responsabilidade acaba. Ao contrário. É nessa fase que nossa responsabilidade aumenta.

Nós somos os pais da menina do vídeo. Nós somos os pais do menino que divulgou. E a culpa é nossa que não sabemos superar os tabus do sexo e conversar abertamente com eles.

 

Luísa Aranha | Jornalista

www.mamaeneura.com


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