Como se preparar para o puerpério: o que muda, erros comuns e quando buscar ajuda
- há 12 horas
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Psicóloga perinatal explica como alinhar expectativas, organizar rede de apoio e reconhecer sinais que pedem atenção
O enxoval fica pronto, o quarto ganha decoração e a mala da maternidade é revisada duas vezes. Mesmo assim, muitas mulheres descrevem o início do puerpério como um choque, com sono picado, dificuldades na amamentação, visitas, palpites e uma sensação de solidão. Para a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, a preparação precisa ir além da parte prática e começar ainda na gestação, com conversas reais sobre rotina, rede de apoio, divisão de tarefas e saúde mental. “A mudança psicológica não acompanha o mesmo ritmo da mudança orgânica. Enquanto o puerpério é uma adaptação do corpo da mulher e leva de duas semanas a seis meses no máximo, o pós-parto é a adaptação psicológica, e ele pode durar de dois a três anos”, afirma. A seguir, a psicóloga respondeu às dúvidas mais comuns deste período. 1) Por que a maternidade real costuma ser diferente das redes sociais? A preparação começa por ajustar a expectativa. Segundo a psicóloga, romantizar o início da maternidade aumenta a chance de culpa e inadequação quando aparecem dificuldades reais, como cansaço extremo, bebê que chora muito, noites ruins e desafios na amamentação. “Aquela imagem de mãe super alegre no puerpério pode ser apenas uma pose para foto do Instagram. O bastidor pode ser muito cruel, muito difícil... por debaixo daquela maquiagem, por de trás daquela mulher mesmo que descabelada, mas super feliz ali com o bebê no colo, pode ter muito medo, angústia e incertezas”. Ela diz que é comum surgir sensação de injustiça quando a mulher percebe que não foi preparada para o que viria. “Uma das principais queixas que eu vejo de mulheres no puerpério é: ‘estou me sentindo injustiçada porque ninguém me falou que seria assim, eu me sinto traída’". 2) Baby blues é depressão? Como diferenciar? Não. O baby blues (disforia puerperal) é uma oscilação de humor muito frequente nos primeiros dias após o parto, com choro fácil, fragilidade e irritação, e costuma durar cerca de duas a três semanas. Em geral, pede acolhimento e apoio. O alerta aparece quando os sintomas persistem além desse período, pioram ou começam a comprometer o funcionamento diário, o vínculo e o cuidado. Nesses casos, a orientação é buscar avaliação profissional para investigar depressão pós-parto, que exige intervenção adequada. 3) Instinto materno existe? Um erro comum é acreditar que a maternidade é automática. Para Rafaela, isso alimenta culpa quando a mulher não sabe lidar de imediato com choro, banho, sono e amamentação. “A maternidade não é dada de forma instintiva, não existe instinto materno. Eu pego o bebê e sei o que fazer com ele, sei como dar banho, trocar fralda, colocar para dormir... não é assim, é aprendizagem! A gente aprende a se comunicar com o bebê”. 4) É normal não amar o bebê logo que ele nasce? Sim. A psicóloga afirma que o amor imediato nem sempre acontece e que muitas mulheres sentem vergonha de admitir isso. “Existem várias mulheres que, quando o bebê nasce, não conseguem sentir amor pelo bebê. Isso acontece e é comum. Muitas começam a se vincular com o bebê e gostar dele só depois de uns três ou quatro meses”. 5) Quais lutos são esperados no puerpério? Outro erro frequente é não se preparar para as perdas do cotidiano, que costumam pesar no começo. Rafaela chama atenção para o “luto das pequenas coisas”, como perder a liberdade do banho demorado, do sono contínuo, do tempo para a vida a dois e de rotinas simples sem interrupções. “Nesse período, a mulher faz muitos lutos.Tristeza é normal, tristeza é esperada, e isso não significa necessariamente que ela está com depressão”. 6) O que é invisibilidade materna? Rafaela descreve um fenômeno comum e doloroso: a mulher recebe atenção na gestação, mas, após o parto, o foco social vai todo para o bebê. “Durante a gestação, ela recebe mimos, recebe paparicos, todo mundo quer ajudar. Quando o bebê nasce, ninguém nem pergunta dela, as pessoas já vão entrando e falando ‘cadê o bebê?’. A mãe fica invisível, é uma invisibilidade materna que machuca as mulheres”. Combinar visitas, horários e tipo de ajuda antes do parto pode reduzir esse impacto. 7) Rede de apoio: o que vale como ajuda de verdade? Rede de apoio é quem ajuda a sustentar o cotidiano, e não apenas quem visita para ver o bebê. Ajuda real costuma ser:
8) Divisão de tarefas: onde as famílias mais erram? Muitas mulheres idealizam que o parceiro vai dividir tudo igualmente, mas o puerpério cobra acordos concretos. Um erro comum é deixar “para ver na hora”, quando o cansaço já está alto. A orientação é sair do combinado genérico e definir tarefas objetivas, como rotina da casa, logística da madrugada, limites para visitas e como lidar com palpites. 9) Como o pré-natal psicológico pode prevenir adoecimentos? A psicóloga defende que a prevenção começa na gestação, com o pré-natal psicológico, que antecipa reflexões críticas e reduz o choque com a realidade. O acompanhamento ajuda a planejar:
Veja como se planejar antes do bebê nascer: 1) Alinhar expectativa com a maternidade real, fora das redes sociais 2) Combinar regras de visita e tipo de ajuda que faz diferença 3) Mapear rede de apoio prática (comida, casa, sono) 4) Fazer acordos objetivos de divisão de tarefas 5) Saber diferenciar baby blues de sinais persistentes de alerta 6) Normalizar que vínculo e amor podem levar tempo 7) Considerar pré-natal psicológico como prevenção |
Sobre a Rafaela Schiavo Profª-Dra. Rafaela de Almeida Schiavo é psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Desde sua formação inicial, dedica-se à saúde mental materna, sendo autora de centenas de trabalhos científicos com o objetivo de reduzir as elevadas taxas de alterações emocionais maternas no Brasil Você também pode ter frete grátis e promoções exclusivas ao se tornar um membro Prime Amazon! Inscreva-se e ganhe 30 dias grátis CLICANDO AQUI. A assinatura garante entrega mais rápida, acesso a filmes, séries e desenhos animados. Siga @mamaebox no www.instagram.com/mamaebox |









